Apolônio de Éfeso
Apolônio de Éfeso
Ele estava completamente familiarizado com a história de Éfeso e com os feitos dos montanistas frígios. O autor desconhecido de Praedestinatus afirma que ele era um bispo de Éfeso. Porém, a falta de apoio de outros escritores cristãos torna seu relato duvidoso. Ele se dedicou a defender a igreja contra Montano e seguiu os passos de Zótico de Comana (Zoticus Comanus), Juliano de Apameia (Julianus Apamaea), Sotas de Anquíalo (Sotas Anchialus) e Apolinário Cláudio.
Sua obra foi citada por Eusébio em História Eclesiástica e foi louvada por São Jerônimo em De Viris Illustribus (Sobre Homens Ilustres), mas não sobreviveu e não sabemos sequer como se chamava. Ela provavelmente tratava de erros nas profecias de Montano e recontava as histórias pouco edificantes de Montano e suas profetisas. Ela também deu crédito ao boato de que ele teria se suicidado por enforcamento e lançou alguma luz sobre os seguidores da seita, incluindo o o apóstata Temiso e o pseudo-mártir Alexandre.
Temiso, tendo escapado do martírio com dinheiro, se colocou como inovador endereçando uma epístola aos seus partidários copiando a forma dos Doze apóstolos e finalmente blasfemou contra Jesus e a Igreja Católica. Alexandre, um notório ladrão, condenado publicamente em Éfeso, era adorado como um deus por muitos.
Baseado em Eusébio, sabemos que Apolônio falou em sua obra sobre Zótico, que havia tentado exorcizar Maximilla, mas teria sido impedido por Temiso, e sobre o bispo-mártir Thraseas, outro adversário do Montanismo. É provável que sua obra tenha dado o primeiro passo sobre o qual o movimento de oposição ao montanismo organizou a primeira reunião do sínodo.
De toda forma, ele relembra a tradição que afirmava que Jesus teria recomendado aos apóstolos que não viajassem para muito longe de Jerusalém durante os doze anos seguintes à Sua ascensão, uma tradição que já era conhecida de Clemente de Alexandria pelo apócrifo Praedicatio Petri. Além disso, ele reconta também a ressurreição de um morto em Éfeso pelo apóstolo São João, cujo Apocalipse ele conhecia e cita.
Ele é colocado ombro-a-ombro com os demais oponentes do montanismo, assim como o “anônimo” de Eusébio de Cesareia, Miltíades e com Apolinário Cláudio. Eusébio diz que sua obra é “uma refutação abundante e suficiente do montanismo”. São Jerônimo a qualificou como “um volume comprido e admirável”. Entretanto, ela não passou despercebida e gerou alguma reação entre os montanistas dado que Tertuliano achou necessário responder.
Após seis livros peri ekstaseos, em que ele apologizou sobre os êxtases em que as profetisas montanistas entravam antes de profetizar, Tertuliano compôs um sétimo especialmente para refutar Apolônio; ele o escreveu também em grego para que pudesse ser utilizado também pelos montanistas da Ásia menor.
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