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Ouro de Tolo: A Ascensão dos "Especialistas" em Acessibilidade

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Esta semana, estava navegando pelo LinkedIn, me deparei com um post de alguém vendendo um produto sobre acessibilidade.

Curioso por natureza, acessei a página e notei problemas imediatos. Ao rodar uma validação automática com aXe DevTools, veio a surpresa: 168 erros em uma única página.

Ter bugs não é o fim do mundo, mas o minimo que se espera é coerência entre o discurso e a prática — especialmente quando o autor se diz “especialista”. É frustrante verque a porta de entrada para um conteúdo que deveria promover inclusão é, ela mesma, inacessível.

Após, um desabafo rápido no LinkedIn, percebi que o tema precisava de mais profundidade.

Por isso, decidi escrever esse artigo.

Disclaimer: esse texto não visa difamar indivíduos, mas sim expor uma realidade comum (e cruel) no mercado de acessibilidade.

A inflação do termo “especialista”

De uns tempos pra cá, as palavras-chave de perfil parecem ter aceitado tudo. Mas o que realmente define um especialista?

Diferente de alguém apenas empolgado ou curioso, o especialista possui:

  1. Domínio técnico: conhecimento profundo sobre às WCAG e normas relacionadas;
  2. Experiência prática: bagagem construída em projetos reais, não apenas em prompts de IA;
  3. Formação e reconhecimento: títulos, certificações ou anos de atuação que validam sua autoridade e posicionamento.

No mercado de TI, “especialista” virou buzzword. Com a inteligência artificial, muitos parecem especialista em tudo: de geopolítica a tecnologia. No entanto, o conhecimento superficial cai por terra diante da realidade.

A desconexão entre idealização e realidade

No dia 11 de março de 2026, comemoramos um ano da NBR 17225:2025 — um marco para a acessibilidade digital brasileira que visa facilitar a aplicação das diretrizes da WCAG. Desde então, o feed foi inundado por postagens genéricas.

Não sou contra o fomento do tema, mas me incomoda o descaso de quem usa a causa apenas para ganhar relevância, cometendo erros básicos como:

  • Uso excessivo de emojis;
  • Textos claramente copiados de LLM’s, sem revisão;
  • Conteúdo superficial;
  • Imagem sem descrição.

É o clássico Efeito Dunning-Kruger: pessoas com pouco conhecimento sobre o assunto tendem a superestimar suas próprias habilidades.


O perigo do conteúdo em massa

A produção de conteúdo em escala via IA tem dois lados:

  • Positivo: traz o tema para o debate público;
  • Negativo: espalha informações tecnicamente incorretas e foca apenas em “surfar o hype”.

Quem estuda acessibilidade desde 2010, como eu, sabe que o papel aceita qualquer coisa, mas a vida real exige execução. Acessibilidade não é sobre tags bonitas no perfil; é sobre remover barreiras para pessoas reais.

Considerações finais

Se eu pudesse dar um conselho seria: desconfie de quem precisa se autoafirmar o tempo todo. Ser especialista é entender que você detém um conhecimento profundo capaz de ajudar o próximo, sem espaço para arrogância.

Como diz no livro de Provérbios:

“O orgulho precede a destruição; a arrogância precede a queda.” Pv 16:18

Ignore as promessas milagrosas. O conhecimento verdadeiro exige algo que muitos não estão dispostos a investir: tempo.

SDG,
Bruno Pulis.

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