A Soberania divina em frente ao escárnio público
A Soberania divina em frente ao escárnio público

Em tempos festivos como o carnaval, a máxima de “tudo é permitido” povoa as avenidas, ruas e bares espalhados pelas cidades.
Talvez o carnaval, uma das grandes paixões do brasileiro, seja uma forma de extravasar e esquecer um pouco suas mazelas espirituais e sociais.
A pergunta que ressoa é: há moralidade na diversão?
O corinthianismo
Recentemente o Corinthians, criou uma campanha chamada “corinthianismo”, onde o intuito aparente era comparar a paixão pelo time com um devoto religioso. Porém, a mensagem da campanha é de cunho apelativo e beirando ao vilipêndio religioso.
Nela podemos ver claramente, alusões da vida e obra de Cristo, tais como: o caminho ao calvário, morte, ressurreição. Usar simbolismos religiosos para defender a paixão por um time beira a sandice e desordem.
Mas a campanha nos aponta para uma questão muito mais profunda: a necessidade de adoração.
Seres humanos: seres cúlticos
Desde a sua criação o ser humano é um ser dotado de: veneração.
No trecho de Gênesis 1:26–27, encontramos a criação do homem:
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Gênesis 1:26,27
Note que o texto sugere uma profundidade da pessoalidade divina, a essência do divino. Encontramos também vestígios disso em Eclesiastes:
Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.
Eclesiastes 3:11
Esse anseio nos mostra que o homem em sua totalidade é um ser que foi criado para prestar culto e buscar sentido e significado para sua existência. Somos seres, por essência, religiosos.
Talvez o “corinthianismo”, seja um retrato da alma de muitos nós. Ansiamos por mais sentido e significado e nosso time/religião/pessoas proporciona isso.
Nossos corações vazios da eternidade se enchem por meras alegrias e, torcer para um time, se torna adoração. Encontramos sentido em mais um “ismo”.
Mais uma bola fora da Fiel
Não se contentando com a polêmica envolvida no “corinthianismo”, a Gaviões da Fiel em seu desfile no domingo, adentra a avenida com a releitura do samba-enredo “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente” de 1994, que conta a história, lendas, benefícios e malefícios do tabaco.
O trecho em vídeo mostra de forma explícita Satanás vencendo o que seria Jesus.
O problema do desfile, assim como o corinthianismo, é o desrespeito aos símbolos e formas cúlticas da religião e, conforme previsto em lei, é um ato criminoso:
Art. 208 — Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Jesus e o Diabo e a Soberania de Deus
A cena do desfile é uma inverdade. A teologia bíblica em nenhum momento relata uma luta onde o bem e o mal tem forças equiparadas.
Pelo contrário, as escrituras mostram o diabo como um ser finito, dotado de limitações. Enquanto Deus domina soberanamente em glória, onipotente, onipresente e onisciente.
Satanás, sendo criatura, obedece o Criador de todas as coisas. Notamos isso quando: toca na vida de Jó, a tentação de Jesus no deserto, dentre outras passagens que comprovam uma condição de submissão da figura diabólica em relação à figura divina.
Em contrapartida, Cristo é todo poderoso e majestoso, verificado em diversas passagens bíblicas, como:
- a manifestação da glória em 2Cr 7;
- a presença da glória no tabernáculo;
- Moisés presenciando a glória de Deus;
- abertura do mar vermelho;
- dentre outros.
Mas afinal, o que é Soberania de Deus?
A W Pink, em seu livro “Deus é Soberano”, pontua uma definição para o termo:
Soberania de Deus! Que queremos dizer com essa expressão?
Queremos afirmar a supremacia de Deus, realeza de Deus, a divindade de Deus. Dizer que Deus é soberano é declarar que Deus é Deus. Dizer que Deus é soberano é declarar que ele é o Altíssimo, o qual tudo faz segundo sua vontade no exército dos céus e entre os moradores da terra; "Não há quem possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazer? (Dn 4:35).
Dizer que Deus é soberano é declarar que ele é onipotente, possuidor de todo poder nos céus e na terra, de tal maneira que ninguém pode impedir seus conselhos, contrariar os seus propósitos ou resistir a sua vontade (Sl 115:3)[1]
Na atualidade há um esforço grande para a emancipação da religião e tudo quanto diz respeito a ela. Excluíram Deus, de suas vidas e negaram todos os valores morais e éticos em nome de uma liberdade que será encontrada somente com o Altíssimo.
Esse ato de emancipação traz uma falsa sensação que Deus não rege e não domina a criação.
Mesmo com a falta de fé da humanidade, Deus permanece firme e inabalável seu trono de justiça, retidão e paz, aguardando o dia da justiça.
Um desfile de uma escola de samba, financiada por um time de futebol, não abala sua Soberania. O que fica como mensagem, porém, é o desrespeito à fé de um povo que ousou crer num Deus Soberano sem se entregar às vicissitudes da vida moderna.
Como dizem por ai: “vamos ser a resistência”. Nós cristãos seremos a resistência contra a maldade e impiedades que assolam o mundo moderno, que decidiu abandonar o Criador e viver pra si mesmo.
Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.
Na paz,
@brunopulis
Referências Bibliográfica
PINK, A W. Deus é Soberano. 21,22f. São José dos Campos; Editora Fiel, 2015.
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