GAAD 2026: mais ação menos discurso

No dia 21 de maio, comemoramos o Dia internacional de conscientização sobre a acessibilidade digital.
Essa data é muito importante, pois, traz visibilidade a um tema extremamente urgente. Muitos profissionais disponibilizam conteúdos, palestras e até eventos são realizados.
Mas entra ano e sai ano e percebo que nada melhora. Será que somente eu percebo isso? Tenho a impressão que não.
Se globalmente o problema é grave, no Brasil é bem pior.
Acessibilidade no Brasil
Estudo acessibilidade desde 2015, quando criei o Awesome A11y foi meu ponto de partida. E de lá pra cá muito se falou.
O problema da acessibilidade brasileira é simples, mas complexo ao mesmo tempo:
Muito discurso e pouca ação
Já comentei sobre isso no artigo Ouro de Tolo: A Ascensão dos “Especialistas” em Acessibilidade.
Um dos problemas reais do Brasil
No Brasil temos muitos problemas sobre acessibilidade, vou pontuar dois:
- Falta de fiscalização;
- Denúncias que não são apuradas.
O próprio governo federal não tem eficácia em apurar e seguir adiante com as denúncias.
É preciso ter uma equipe capacitada para avaliar e medir a acessibilidade de modo assertivo.
Temos alguns meios de denúncia como: Reclame aqui, Procon, Ministério Público, mas infelizmente surtem pouco efeito. Como bem sabemos a justiça brasileira funciona quando existe lobby político ou dinheiro.
E isso que me revolta!
Temos leis, boas práticas, diretrizes nacionais, mas nada é feito.
O avanço é a passos de tartaruga e tá tudo bem.
Inteligência Artificial como catalisador de bugs
Desde o boom das LLM’s, surgiu uma espécie de programador: o vibecoder.
Ele terceiriza algumas decisões para IA e ela realiza, até então, isso não é problema.
Se torna quando o código é todo confiado a IA sem revisão humana.
Bugs em todos os lugares
Eu mesmo fiz alguns experimentos com o Lovable, Bolt, Sticth e alguns outros geradores de códigos.
Posso dizer que a entrega deles é razoável, mas peca muito em entregar um código bem estruturado.
Fato curioso
A pesquisa Web OneMillion, traz uma constatação interessante:
Um número significativo de elementos na página (como elementos
<div>e<span>, por exemplo) pode resultar em uma densidade de erros menor (sugerindo melhor acessibilidade), quando, na verdade, muitos novos erros de acessibilidade também podem ter sido introduzidos.
Isso não quer dizer que esteja incorreta em todos os casos, mas a incidência de problemas aumentou cerca de 28% em relação ao ano anterior.
Com essa pressão do mercado por soluções rápidas feitas com IA, prejudica a navegação de todos pela Internet.
Por fim, a pesquisa traz uma conclusão interessante:
Essas tendências provavelmente refletem mudanças mais amplas no desenvolvimento web, incluindo uma maior dependência de frameworks e bibliotecas de terceiros e práticas de codificação automatizadas ou assistidas por IA.
As páginas iniciais estão ficando maiores e mais complexas tecnologicamente em um ritmo alarmante, tornando a acessibilidade mais difícil de alcançar e manter.
Uma conclusão fundamental do relatório deste ano é que melhorar a acessibilidade em larga escala exigirá tanto melhores práticas quanto sistemas mais simples
Alternativamente, sistemas complexos precisam se concentrar melhor nos fundamentos da acessibilidade.
Será que existe solução?
Tenho me perguntado sinceramente se existe solução para isso no Brasil. Acreditar que o bondoso governo vai atuar é pura ingenuidade.
Talvez, a saída seja expor as empresas e fazer os direitos prevalecerem.
Usar o poder das redes para algo útil e talvez assim, a população entenda que acessibilidade é.
Acessibilidade não é empatia, ela faz parte do trabalho.
O que nos resta?
Aprender com nossos erros e tentar fazer uma web menos inacessível.
SDG,
Pulis.
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Sobre Bruno Pulis
Engenheiro de software, focado em experiências inclusivas, teólogo, pensador e minimalista digital.
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